Porquê
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?
É a esta pergunta, realizada nestes exactos termos, que responderei NÃO no dia 11 de Fevereiro de 2007.
Porquê?
Acima de tudo, porque considero a Vida Humana o bem mais essencial da nossa sociedade e não consigo conceber que se aceite que um ser humano coloque termo à vida de outro ser humano sem que para tanto tenha sequer que apresentar um motivo.
É com pena, porém, que assisto, no debate que já se vai promovendo por esse país fora, à mobilização de argumentos tantas vezes demagógicos, tantas vezes adulterados, tantas vezes tão distantes daquilo que verdadeiramente estará em causa no dia 11 de Fevereiro.
A pergunta que nos fazem não é se concordamos ou não com o aborto, isso é claro!
Mas a pergunta que nos fazem também não é:
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se não admitimos o aborto em nenhuma circunstância:
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a lei portuguesa já o admite como legal em circunstâncias concretas, pelo que, não faz sentido conduzir o debate para a radicalidade que é afirmar que o aborto não deve ser admitido em nenhuma situação
ou, no outro extremo,
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- se não deverá a mulher poder abortar quando razões económicas, sociais, familiares, etc., etc., etc., assim o determinem:
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a pergunta tal como nos é colocada não condiciona a legalidade do aborto a qualquer motivação, tão só nos questiona se devemos admitir a legalização do aborto livre, universal e sem a invocação de qualquer motivo.
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É nesta pergunta colocada nestes termos, que nos devemos centrar.
É esta pergunta, colocada nestes exactos termos, que devemos debater!
Não sou filiada em nenhum partido nem estou associada a nenhum dos movimentos cívicos constituídos para este referendo, mas gostava de poder contribuir, de forma, acima de tudo, honesta, clara e democrática para um debate esclarecido desta questão.
É por isso que surge este blog, como um espaço que se pretende aberto ao diálogo e ao confronto saudável de argumentos, um espaço que, espero, possa contribuir para que dia 11 o nosso voto – num ou noutro sentido – seja um voto esclarecido.
Participem nele, comentem, debatam… é assim que se constrói a democracia!